Mucambo, Humaitá e Pires Ferreira: três nomes e um só lugar.
Na região de Mucambo, após duas décadas de nascimento do patriarca Reinaldo Marques de Melo, se aventuraram por lá poucas famílias na busca de seus espaços, dentre elas a do próprio mestre Reinaldo, que havia migrado de Granja-CE para região em 1887, junto de sua esposa Francisca Feijó de Melo e do primogênito do casal João Marques de Melo.
Antes de ser chamada de Humaitá, o lugarejo era um arraial de pequenos agricultores que por lá estavam se valendo da fertilidade das terras à margem do Riacho São Francisco, cujo nome original era Mucambo (ou Mocambo), uma denominação dada às moradias construídas artesanalmente. Posteriormente, muitos desses agricultores tornaram-se assentados que prestariam serviços na construção da Estrada de Ferro no período das frentes braçais. Vale lembrar que nessa época a região já era subordinada ao município de Ipu-CE, anteriormente pertencente ao território de Vila Nova d’El Rey, terras da Capitania de Pernambuco.
Com o tempo, denominou-se Humaitá o local (parada) remanescente onde embarques e desembarques de pessoas e mercadorias eram realizados, antes mesmo da construção do prédio central da Estação Ferroviária, inaugurado somente no dia 21/01/1925. O nome dado pelos ferroviários foi em alusão a popularização de uma Batalha acontecida na época do Brasil Imperial, e que fez parte do contexto da Guerra do Paraguai. Assim, o nome Humaitá foi empregado pelos ferroviários para nomear todo o então vilarejo, mesmo muitos ainda utilizando Mucambo como força de costume.
Nas primeiras décadas do século XX, Mucambo/Humaitá era um povoado rural com poucas estruturas, mas já contava com a prole varonil do mestre Reinaldo Marques de Melo nas atividades laborais da Estrada de Ferro. No total, os 9 homens da prole dos 16 filhos(as) aprenderam o mesmo ofício que brilhantemente o pai ensinou. Missão esta que foi seguida posteriormente por alguns de seus netos e bisnetos.
A partir de 1909, com a criação da Rede de Viação Cearense (RVC), administrada pela estrangeira “South American Railway Company”, a gestão ferroviária passou a rebatizar com nomes próprios, alguns locais de paradas em homenagens aos que consideravam ilustres, quase sempre pessoas que tiveram importância no âmbito das ferrovias.
Na Linha Norte, por exemplo, surgiram paradas e consequentemente futuras Estações com os nomes de: Dr. Privat (Granja-CE), Theógenes Rocha (Santana do Acaraú-CE) & Engenheiro João Thomé (Ipueiras-CE). Já na Linha Sul, ao todo, outras 14 homenagens do tipo foram feitas, destacando-se os nomes de: Engenheiro José Lopes (Senador Pompeu-CE), Piquet Carneiro (Piquet Carneiro-CE) & Engenheiro Barreto (Iguatu-CE).
Assim, com Pires Ferreira não foi diferente. A única diferença é que em alguns lugares o nome prosperou junto com a comunidade local, algo que aconteceu com este caso e com o futuro município de Piquet Carneiro, por exemplo. Em outros, o nome caiu em desuso a partir do momento em que essas paradas, e consequentemente suas Estações, perderam o protagonismo social e econômico.